CAPÍTULO 1 - UM FIM INCERTO

domingo, agosto 12, 2012 / Um comentário


- Você sempre se achou tão esperto, tão inteligente, se achava o rei do mundo Jorge. Estou te dizendo isso por que quero gentilmente lhe dizer que não é bem assim meu bem. -  Raquel dizia calmamente à Jorge destilando ironia. – Eu descobri tudo, sei que você tem uma amante e que nos finais de semana que você diz estar em uma reunião, está junto dela, que aliás é sua secretaria suburbana – Deu ênfase quando disse suburbana fazendo aspas com os dedos – Típico não? O velho otário e a suburbana golpista. Você conseguiu se superar no quesito ridículo. E agora Jorge? Quem é a idiota aqui? – Disse e disparou o olhar para Jorge na espera de sua resposta que durante seu monólogo permaneceu calado.
- Eu estava esperando a hora certa pra te contar tudo o que estava acontecendo, mas você nunca tem tempo para me ouvir, nem pra conversar, sempre irritada e estressada. – Jorge aproveitou para criticar Raquel e realmente tudo que ele havia dito era verdade. Eles viviam um casamento  de aparências, tudo isso pra tentar manter o castelo que eles construíram para sua filha Fernanda. Jorge era um homem calmo, tinha seus quarenta e sete anos bem sucedidos, sua família era de berço, um homem gentil e educado. No seu rosto ele exibia marcas da idade que nunca fizera questão de esconder, acompanhado de seus cabelos grisalhos. Raquel era complemente diferente de Jorge, vivia uma rotina estressante na empresa onde ela era Diretora e sempre trazia problemas do trabalho para casa, uma mulher sem paciência, viera também de família rica, isso deve explicar um pouco da sua falta de humildade, aos trinta e cinco anos de idade possuía uma fortuna inestimável. Uma mulher muito bonita, muito vaidosa, possuía uma pele branca quase impecável, olhos profundos castanhos escuros e cabelos negros.
- E você me contaria como essa sua “indiscrição”? Talvez me convidando para jantar ou enquanto nós tomávamos um vinho. Não seja hipócrita Jorge – Sua falsa calma passou neste momento e ela já alterava sua voz que soava alto como acusação.
- Eu já estou farto de você sempre com essa arrogância e prepotência. Eu ia te contar assim que você tivesse tempo, mas você sempre está ocupada com outra coisa. É por isso que o nosso casamento não deu certo. – Jorge tentava reverter o jogo, mas Raquel logo rebateu.
- Eu sempre ocupada com outras coisas? – Perguntou, mas sem esperar resposta emendou:
- Pelo menos era com trabalho. E quem está farta de você sou eu. Acabou – Foi enfática, enquanto ainda tentava parecer mais forte do que realmente era, apenas deixou uma lágrima escorrer.
- É isso, acabou!
- Pai? – Uma voz familiar soava meio chorosa, era a voz de Fernanda.
- Filha? Pensei que estivesse dormindo. – Respondeu Jorge em desespero.
- Apenas me diga se tudo isso que a mamãe disse é verdade? – Perguntou aos prantos.
- Sim, quero dizer, não. – Gaguejou ao tentar responde-la. – Filha depois eu te explico tudo o que está acontecendo, mas eu e sua mãe não estamos mais dando certo, vamos nos separar.
- Eu não acredito que o senhor fez isso com a gente, que você está destruindo a minha família, eu vou te odiar pra sempre por isso. – Dava pra sentir a revolta de Fernanda em sua voz. Raquel permaneceu calada e não fez nada para acalmar a filha, pensava apenas em coloca-lá contra o pai.

Dois anos depois.

 Escritório de Jorge – Rede Borgia de Supermercados

- Então querido quando é que finalmente eu vou poder me mudar pra nossa casa? Faz dois anos que nós estamos nisso, eu quero oficializar a nossa relação – Dizia Ticiane. A loira fatal que roubará o coração de Jorge.  Ticiane sempre foi muito sensual e sempre chamou muito atenção, não costumava andar com caras pobres, somente pessoas ricas  e influentes, tinha vinte e nove anos de idade e foi mãe aos quatorze anos de sua única filha Débora, era alta e tinha um corpo escultural que se devia ao fato dela viver na academia.
- Em breve, só estava dando um tempo pra minha filha, mas agora ela já deve estar pronta pra receber você e a Débora lá em casa. Já marquei a data do nosso casamento como você desejava e assim que nos casarmos, você muda pra minha casa. – Ao terminar a frase Jorge ganhou um beijo e um abraço forte de Ticiane que estava exalando felicidade com a ideia de morar na mansão de Jorge. – Obrigada querido, eu te amo, você me faz cada dia mais feliz.

A cerimônia foi linda, foi uma festa mais intima, a igreja estava decorada de arranjos brancos e os detalhes eram dourados, as mesas do salão organizadas com primor como tudo que envolvia aquele casamento e o coro era maravilhoso deixando os convidados encantados.
Jorge estava muito feliz, até se emocionou na hora de dizer o “sim”. Sua felicidade estaria completa se sua filha estivesse presente.
Ticiane não poderia estar mais feliz, estava realizando o que tanto havia desejado que era casar-se com um homem rico e que pudesse dar uma vida de luxo para ela e sua filha. Que estava linda na festa, Débora quase nunca se vestia do jeito que sua mãe desejava, gostava de rock e de roupas simples como “all star” e calças jeans, mas nesse dia apesar de não ter gostado nada do vestido que sua mãe escolherá, vestiu, somente para que ela ficasse feliz.
Assim que a festa terminou o casal foi para lua de mel, o destino foi escolhido por Ticiane. Paris, um lugar que ela sempre desejou conhecer, mas que Jorge já havia ido diversas vezes.
Ao longo da viagem Jorge fingiu fazer as mesmas descobertas de Ticiane na cidade e ela fotografava e admirava quase tudo que via, pois nunca havia saído de seu país, para ela tudo era uma novidade.

Quando o casal voltou de viagem, a mudança foi inevitável para a infelicidade de Fernanda, que odiava a ideia de ter uma madrasta e uma irmã. Não se conformava com o término do casamento de seus pais. Mas preferiu ficar no Brasil por causa de seus amigos ao se mudar com sua mãe para Nova York que desde a separação morara lá.
- Nós temos o quarto dos empregados e de hospedes livre pra você se alojar. – Dizia Fernanda com ironia quando viu sua futura irmã que ela rejeitava completamente. – Ah. – Exclamou – E temos também o quartinho dos cachorros, se bem que eu acho que eles não vão querer dividir o espaço deles com você. – Destilava mau humor enquanto dizia deitada no sofá com suas revistas de moda.
Jorge repreendeu a filha:
- Fernanda, não fale assim com a Débora, vocês agora são irmãs e não quero brigas aqui dentro.
- Você pode até desentocar todas essas suburbanas lá da periferia de onde elas vieram, mas não pode e nem vai me obrigar a gostar delas, ou dizer que elas são da minha família. Por que elas não significam nada pra mim, aliás, elas já nasceram insignificantes e deveriam permanecer assim, se não fosse pela sua burrice. Perdoe-me papai. – Acusava e ironizava em cada palavra que dizia.
- Fernanda.. – Jorge foi interrompido por Débora. – Deixa papai, eu entendo a Fernanda, deve ser difícil ganhar uma nova família. – Ela sabia o quanto esta frase irritaria mais ainda sua “irmã”.
- “Papai”? Alias vocês pobres nascem de chocadeiras não é? – Destilava veneno ao responder.
- Eu não ficar aqui discutindo com você, irmãzinha. Vou me arrumar porque daqui a pouco vou receber visitas.
- Não quero ouvir essa sua boca imunda me chamando de irmã garota. E não traga seu gueto pra minha casa.
Débora subiu as escadas da casa gritando “irmãzinha”.
O relacionamento delas estava cada vez pior, uma provocação dali, uma rebatida de cá. Jorge não suportava isso, mas a personalidade de Fernanda era muito forte e batia de frente com a de Débora.

SOBRE O "DOCE VENENO"

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Nós podemos dançar até o amanhecer, podemos eternizar essa noite nos tornando jovens para sempre, pra sempre sem arrependimentos. Você pode me tirar completamente o fôlego,  você pode ser tudo hoje e amanhã nada. Sentimos o sangue jovem correndo em nossas veias e tornando as batidas dos nossos corações a letra e a melodia das nossas vidas.
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