CAPÍTULO 3 - PAIXÃO DE MELHOR AMIGO

domingo, setembro 09, 2012 / Nenhum comentário


Rodrigo
Ela é incrível, nós dois, me parecia incrível. Ela consegue arrancar de mim os melhores sorrisos, minha amiga, companheira, parceira. Até quando? Até quando vamos fingir que nada esta acontecendo? Até quando terei que fingir que eu não fico bobo quando estou ao lado dela. ”fingir que EU não fico bobo”. O orgulho e o medo de saber que nada disso é recíproco é que me afasta de todo seu encanto, isso permanecerá em mim até que seja sufocante demais pra suportar ou superar. Mal dos orgulhosos, o medo de tentar.
Caixinha de surpresa, esse pra mim é o melhor jeito de defini-la, desprendida, incomparável... De tudo que ela negava, eram seus “sim” que insistia em martelar na mente, o sim do seu sorriso, o sim do seu doce beijo...
Evitar tudo era minha melhor maneira de lidar com isso, pra que estragar o que está bom? Por que tentar melhorar algo que pra mim parecia excelente, os beijos roubados, os planos, os risos compartilhados, deixa assim.
Quebrando o silencio do meu quarto começa tocar uma música eletrônica muito familiar, era a musica de toque do meu celular, vibrava seu nome. – Alô? – atendi. – Oi Rodrigo, vamos sair hoje à noite? To sem nada pra fazer? – O jeitinho meigo de falar, significava que ela queria mesmo que eu fosse. Diz que não, que vai sair com uma garota, que já estava marcado, diz babaca. – Aham, te pego as oito então? – Ouvi seu leve riso de comemoração. – Ok, pra mim está ótimo. To te esperando, beijo.
Ela não pode pensar que me domina e nem vai.
Cheguei pontualmente e fiquei aguardando uns vinte minutos, quando ela finalmente desceu estava linda, como sempre, com um vestido solto preto e os cabelos ondulados à mercê do vento, uma sereia de tão encantadora.
- Ah, eu me esqueci de avisar que a Naná vem com a gente, a Dani não vem, pois disse estar indisposta, uma desculpa esfarrapada para estudar você sabe. Eu tolo cheguei a pensar... Deixa pra lá.
Naná chegou vestida de vermelho, elas se arrumaram impecavelmente pra que então? Não entendo. – Aonde nós vamos? – perguntei. – Cineminha. – responderam.
Me frustrei obviamente, não queria ir ao cinema com elas, achei que o convite fosse mais particular, mas já que estava ali vou aproveitar e tentar diminuir minha frustração.
- Nossa Naná você está demais hoje – disse indo ao seu encontro.
- Obrigada, eu adorei esse vestido quando vi. – Ela fitava-me e eu retribuía enquanto Fernanda continuava andando ao nosso lado, não me pareceu se importar. E eu sabia que estava agindo de forma infantil, mas eu precisava sentir o gosto de seu ciúme, não entendo o porquê dessa necessidade, vaidade talvez. Mas ela parecia ler meus pensamentos, acho que não queria me dar esse gosto. Decidi então ir mais longe, em plena sessão em um dos beijos apaixonados do casal que protagonizava o filme, beijei a Naná, comecei colocando as mãos nos ombros dela e ela deitou a cabeça em meus ombros, não tive medo da recusa, sabia que ela não faria isso então a beijei, ao final do beijo ela me deu um sorriso. Olhei para o lado e vi-a ela (a outra) comendo pipoca e estava sorrindo ao ver as declarações de amor do filme, pareceu nem notar.
A noite toda foi de caricias com Naná, elogios, chamegos. E ela continuava conversando normalmente, contava casos, comentava sobre o filme, não pareceu sentir ciúmes, quando beijava reparei que ela nos olhava sorrindo, pelo menos foi o que eu pude perceber, quando ia ficando muito tarde nós decidimos ir embora.
O meu motorista levou Naná até sua casa e ficamos eu e ela, sós dentro do carro, um silencio.
- Os seus dotes de Don Juan não devem incluir nossos amigos. Você sabe. – ela quebrou o silencio, sua voz não parecia irritada, nem calma, normal.
- Que plano? Eu e a Naná nos damos bem, algum problema? – Era a minha vez de sair por cima. Ela parecia estar com ciúmes.
- Rodrigo, não seja dissimulado, eu te conheço, afinal o que você quer? Magoar a Naná?
- Magoar por quê? To afim dela e ela de mim, não vejo problema. Aliás, o problema é que você quer sempre tudo do seu jeito, nós não estamos namorando, só rolou um clima.
- Você quer que eu te prove?
- Você acha que pode tudo... – ela parou meus lábios com os dedos, eu perdi totalmente o foco, senti os lábios dela tocando os meus devagar como uma brisa, não era isso que eu queria, coloquei os dedos dentro de seus cabelos e a puxei com força para mim, mordisquei seus lábios. Um beijo picante como pimenta, doce veneno. 

CAPÍTULO 2 - CERTEZAS INCERTAS DE FERNANDA

sábado, setembro 08, 2012 / Um comentário


Desde que meus pais se separaram está cada vez mais insuportável viver nesta casa, uma casa que fora tão acolhedora, uma casa que guarda os momentos felizes de minha infância feliz ao lado dos meus pais. Agora me parece que a cada segundo tudo isso está sendo devastado. Aquele lugar que já fora meu lar agora era um lugar em que eu odiava estar.
As férias acabaram e eu agradeço por isso, por não suportar mais ficar em casa e também por poder rever meus amigos e estar em um lugar onde realmente posso dizer que domino. Ah... O colégio! Aquele sim era meu lugar o lugar onde eu podia ser quem eu quisesse, onde pessoas queriam estar ao meu lado ou me agradar. Lá eu tinha que ser perfeita ou pelo menos parecer. Mas mesmo assim eu adorava. Fazer gestos delicados, forçar sorrisos, trejeitos ou apenas parecer boa demais pra que qualquer um ouse se aproximar. Talvez a mais rica, talvez a mais bela, a mais desejada, a mais cobiçada. Talvez? Talvez eu seja modesta.
Acordo todos os dias uma hora antes do que realmente preciso somente para me arrumar, gosto de testar novas maquiagens, penteados e essas coisas que te fazem sentir bem consigo mesma. Depois pego o carro em que o motorista me leva até o colégio.
Chegando lá pude avistar meus amigos. Nós costumávamos nos encontrar sempre nas férias, mas é como uma regra dar um abraço forte em todos eles quando se volta das férias como se estivesse morrendo de saudades. Abracei-os calorosamente e de fato com alguma saudade.
- É pessoal, tudo novo de novo. – Disse àquelas frases que a gente diz quando quer dar inicio a algum tipo de assunto.
- É, e nós sempre nessa parceria – Rodrigo dizia rindo fazendo referencias a nossos feitos passados, já fazia um bom tempo que estudávamos juntos e nós éramos muito ligados uns aos outros. – Claro. – Concordei e o abracei mais uma vez, adorava seu abraço acolhedor era extremamente bom recostar minha cabeça em seu ombro e sentir aquele perfume tão gostoso que eu só sentia nele, bonito que só ele, tem cara de marrento, cabelos loiros e olhos azuis turquesa, eu gostava dele e ele de mim, amigos. Enquanto estávamos sentados no banquinho aguardando o sinal que anunciava a abertura dos portões Naná e Danielle tagarelavam freneticamente, comentavam aqui, criticavam de lá. As duas são minhas melhores amigas, cada uma do seu jeito uma tão diferente da outra, mas eram raros os casos de brigas entre nós. Naná era a mais engraçada de nós, sempre conseguia nos fazer dar risada, espevitada e de personalidade forte, às vezes implicante, adora fazer comentários da vida alheia.  Alias quem não adora? Tinha uma carinha de anjo com seus cabelos loiros e olhos azuis, baixinha e fazia o tipo mais curvilíneo.  Já Danielle era a mais centrada de nós, sempre tentando nos alertar das possíveis burradas, extremamente inteligente, se estressa facilmente. De altura mediana, magra e os olhos puxados que herdará de sua família de descendência japonesa.
O sinal bateu e nós entramos no colégio. A primeira aula foi de português, cujo  a professora era irritante, sua voz tremida e fina, tornava a aula um saco. Durante essa aula consegui avistar os alunos novos no colégio, consegui identificar os bolsistas e terminei de contar coisas irrelevantes que aconteceram nas férias.
- Oi, meu nome é Alicia. Sou nova aqui, vim de outra cidade. Tudo bom? – Seu rosto estampava um sorriso enorme e ela parecia fazer esforço para parecer simpático, reparei e achei-a bonita, seu rosto não negava que era de família rica.
- Prazer, Fernanda. É ruim ser novo no colégio, não é? Mas não se sinta deslocada, pode se sentar com a gente no intervalo. – Fui simpática, olhei pra ela e tive mil idéias, idéias que o Rodrigo com certeza irá amar, ela fazia seu tipo de garota.
- Quem é ela? – Perguntou ele, quando me levantei da carteira dela e fui me sentar no fundo com ele, era aula de artes e ela nos deu um momento pra conversar sobre as férias. – Alicia, gostou? Já está na “rede”. – Dei um sorriso sarcástico pra ele.
- Já estão tramando contra a coitadinha? – Senti a ironia na voz da Naná.
- Vai traumatizar a garota recém chegada? – Ironizava também Danielle.
Quando finalmente chegará o intervalo, começamos a conversar com a Alicia, escutamos ela contar como era sua antiga escola, falamos um pouco da nossa ao fazer comparações.
- E ai quem te chamou atenção aqui? – perguntei – Assim... Garotos. Sabe?
- Ah sim... Então eu achei interessante aquele moreno, não repara agora, mas ele está encostado na cantina apoiado na coluna.
- Puf – Naná fez um som de desdém.
- O Júlio? – Mostrei indignação, o Júlio realmente chamava atenção, era muito bonito, atraente. Mas ele era bolsista e pobre. – Não Alicia, ele não. Ele é bolsista. – Não podia argumentar mais, esperava que ela entendesse meu argumento, que pra mim era forte o bastante pra não interessar-me por ele.
- E o que tem isso? Não vejo problemas, até mostra que além de bonito, é inteligente.
- Sem falar naquelas músicas periféricas que ele escuta às vezes até sem fone, nos constrangendo com aquelas letras... Lindas – Debochou Naná.
- É inteligente ele é, mas... – Danielle não continuou a argumentar acho que ficou sem jeito.
- Sabe Alicia, o Rodrigo gostou de você. E eu acho que vocês dois fazem um belo casal – Mudei de assunto e aproveitei pra colocar meu plano em pratica.
- Aquele loirinho que estava contigo? – Perguntou sem muita animação. Estranhei, pois todas as meninas ficam malucas pelo Rodrigo.  – Sabe... Ele é bonitinho, mas não faz muito meu tipo. – completou.
Acabou o intervalo voltamos pra sala de aula, e tivemos duas aulas de matemáticas e uma de física, os professores explicaram sua metodologia e passaram alguns exercícios, nada muito complicado. Enfim o dia letivo acabara.
- Ela disse que você não faz o tipo dela – Falei de uma vez e dava uma risada de deboche, brincadeira.
- Como assim? Qual problema dessa garota? E quem ela pensa que é... – Calma – o interrompi.
- Essa nós só vamos precisar de mais um tempinho e empenho, só. – Fiz um carinho em seu rosto e beijei de leve seus lábios, logo senti suas mãos firmes em minha cintura e o pequeno selinho se transformar em um grande beijo. – Não, aqui não. Quer estragar tudo, é? – Ao ver a decepção em sua face pelo banho de água fria, coloquei um sorriso terno em meu rosto e disse – Depois meu amor. Temos muito tempo ainda.  E não faça essa cara. Ainda temos a Alicinha em jogo. – Ele deu um sorriso de canto de boca dizendo que entendia. – Foi você que começou. – Disse ele numa tentativa de sair por cima, típico dele, pateticamente adorável. – É que você é irresistível. – Falei entre risos. – Fui eu quem começou, eu quem termino, essa é a lei. – conclui.

CAPÍTULO 1 - UM FIM INCERTO

domingo, agosto 12, 2012 / Um comentário


- Você sempre se achou tão esperto, tão inteligente, se achava o rei do mundo Jorge. Estou te dizendo isso por que quero gentilmente lhe dizer que não é bem assim meu bem. -  Raquel dizia calmamente à Jorge destilando ironia. – Eu descobri tudo, sei que você tem uma amante e que nos finais de semana que você diz estar em uma reunião, está junto dela, que aliás é sua secretaria suburbana – Deu ênfase quando disse suburbana fazendo aspas com os dedos – Típico não? O velho otário e a suburbana golpista. Você conseguiu se superar no quesito ridículo. E agora Jorge? Quem é a idiota aqui? – Disse e disparou o olhar para Jorge na espera de sua resposta que durante seu monólogo permaneceu calado.
- Eu estava esperando a hora certa pra te contar tudo o que estava acontecendo, mas você nunca tem tempo para me ouvir, nem pra conversar, sempre irritada e estressada. – Jorge aproveitou para criticar Raquel e realmente tudo que ele havia dito era verdade. Eles viviam um casamento  de aparências, tudo isso pra tentar manter o castelo que eles construíram para sua filha Fernanda. Jorge era um homem calmo, tinha seus quarenta e sete anos bem sucedidos, sua família era de berço, um homem gentil e educado. No seu rosto ele exibia marcas da idade que nunca fizera questão de esconder, acompanhado de seus cabelos grisalhos. Raquel era complemente diferente de Jorge, vivia uma rotina estressante na empresa onde ela era Diretora e sempre trazia problemas do trabalho para casa, uma mulher sem paciência, viera também de família rica, isso deve explicar um pouco da sua falta de humildade, aos trinta e cinco anos de idade possuía uma fortuna inestimável. Uma mulher muito bonita, muito vaidosa, possuía uma pele branca quase impecável, olhos profundos castanhos escuros e cabelos negros.
- E você me contaria como essa sua “indiscrição”? Talvez me convidando para jantar ou enquanto nós tomávamos um vinho. Não seja hipócrita Jorge – Sua falsa calma passou neste momento e ela já alterava sua voz que soava alto como acusação.
- Eu já estou farto de você sempre com essa arrogância e prepotência. Eu ia te contar assim que você tivesse tempo, mas você sempre está ocupada com outra coisa. É por isso que o nosso casamento não deu certo. – Jorge tentava reverter o jogo, mas Raquel logo rebateu.
- Eu sempre ocupada com outras coisas? – Perguntou, mas sem esperar resposta emendou:
- Pelo menos era com trabalho. E quem está farta de você sou eu. Acabou – Foi enfática, enquanto ainda tentava parecer mais forte do que realmente era, apenas deixou uma lágrima escorrer.
- É isso, acabou!
- Pai? – Uma voz familiar soava meio chorosa, era a voz de Fernanda.
- Filha? Pensei que estivesse dormindo. – Respondeu Jorge em desespero.
- Apenas me diga se tudo isso que a mamãe disse é verdade? – Perguntou aos prantos.
- Sim, quero dizer, não. – Gaguejou ao tentar responde-la. – Filha depois eu te explico tudo o que está acontecendo, mas eu e sua mãe não estamos mais dando certo, vamos nos separar.
- Eu não acredito que o senhor fez isso com a gente, que você está destruindo a minha família, eu vou te odiar pra sempre por isso. – Dava pra sentir a revolta de Fernanda em sua voz. Raquel permaneceu calada e não fez nada para acalmar a filha, pensava apenas em coloca-lá contra o pai.

Dois anos depois.

 Escritório de Jorge – Rede Borgia de Supermercados

- Então querido quando é que finalmente eu vou poder me mudar pra nossa casa? Faz dois anos que nós estamos nisso, eu quero oficializar a nossa relação – Dizia Ticiane. A loira fatal que roubará o coração de Jorge.  Ticiane sempre foi muito sensual e sempre chamou muito atenção, não costumava andar com caras pobres, somente pessoas ricas  e influentes, tinha vinte e nove anos de idade e foi mãe aos quatorze anos de sua única filha Débora, era alta e tinha um corpo escultural que se devia ao fato dela viver na academia.
- Em breve, só estava dando um tempo pra minha filha, mas agora ela já deve estar pronta pra receber você e a Débora lá em casa. Já marquei a data do nosso casamento como você desejava e assim que nos casarmos, você muda pra minha casa. – Ao terminar a frase Jorge ganhou um beijo e um abraço forte de Ticiane que estava exalando felicidade com a ideia de morar na mansão de Jorge. – Obrigada querido, eu te amo, você me faz cada dia mais feliz.

A cerimônia foi linda, foi uma festa mais intima, a igreja estava decorada de arranjos brancos e os detalhes eram dourados, as mesas do salão organizadas com primor como tudo que envolvia aquele casamento e o coro era maravilhoso deixando os convidados encantados.
Jorge estava muito feliz, até se emocionou na hora de dizer o “sim”. Sua felicidade estaria completa se sua filha estivesse presente.
Ticiane não poderia estar mais feliz, estava realizando o que tanto havia desejado que era casar-se com um homem rico e que pudesse dar uma vida de luxo para ela e sua filha. Que estava linda na festa, Débora quase nunca se vestia do jeito que sua mãe desejava, gostava de rock e de roupas simples como “all star” e calças jeans, mas nesse dia apesar de não ter gostado nada do vestido que sua mãe escolherá, vestiu, somente para que ela ficasse feliz.
Assim que a festa terminou o casal foi para lua de mel, o destino foi escolhido por Ticiane. Paris, um lugar que ela sempre desejou conhecer, mas que Jorge já havia ido diversas vezes.
Ao longo da viagem Jorge fingiu fazer as mesmas descobertas de Ticiane na cidade e ela fotografava e admirava quase tudo que via, pois nunca havia saído de seu país, para ela tudo era uma novidade.

Quando o casal voltou de viagem, a mudança foi inevitável para a infelicidade de Fernanda, que odiava a ideia de ter uma madrasta e uma irmã. Não se conformava com o término do casamento de seus pais. Mas preferiu ficar no Brasil por causa de seus amigos ao se mudar com sua mãe para Nova York que desde a separação morara lá.
- Nós temos o quarto dos empregados e de hospedes livre pra você se alojar. – Dizia Fernanda com ironia quando viu sua futura irmã que ela rejeitava completamente. – Ah. – Exclamou – E temos também o quartinho dos cachorros, se bem que eu acho que eles não vão querer dividir o espaço deles com você. – Destilava mau humor enquanto dizia deitada no sofá com suas revistas de moda.
Jorge repreendeu a filha:
- Fernanda, não fale assim com a Débora, vocês agora são irmãs e não quero brigas aqui dentro.
- Você pode até desentocar todas essas suburbanas lá da periferia de onde elas vieram, mas não pode e nem vai me obrigar a gostar delas, ou dizer que elas são da minha família. Por que elas não significam nada pra mim, aliás, elas já nasceram insignificantes e deveriam permanecer assim, se não fosse pela sua burrice. Perdoe-me papai. – Acusava e ironizava em cada palavra que dizia.
- Fernanda.. – Jorge foi interrompido por Débora. – Deixa papai, eu entendo a Fernanda, deve ser difícil ganhar uma nova família. – Ela sabia o quanto esta frase irritaria mais ainda sua “irmã”.
- “Papai”? Alias vocês pobres nascem de chocadeiras não é? – Destilava veneno ao responder.
- Eu não ficar aqui discutindo com você, irmãzinha. Vou me arrumar porque daqui a pouco vou receber visitas.
- Não quero ouvir essa sua boca imunda me chamando de irmã garota. E não traga seu gueto pra minha casa.
Débora subiu as escadas da casa gritando “irmãzinha”.
O relacionamento delas estava cada vez pior, uma provocação dali, uma rebatida de cá. Jorge não suportava isso, mas a personalidade de Fernanda era muito forte e batia de frente com a de Débora.

SOBRE O "DOCE VENENO"

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Nós podemos dançar até o amanhecer, podemos eternizar essa noite nos tornando jovens para sempre, pra sempre sem arrependimentos. Você pode me tirar completamente o fôlego,  você pode ser tudo hoje e amanhã nada. Sentimos o sangue jovem correndo em nossas veias e tornando as batidas dos nossos corações a letra e a melodia das nossas vidas.
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